07 novembro, 2011

safadinha

Demorei para aceitar a ideia que meus conflitos eram comuns. Que minhas crises eram populares, até femininas, demais.

Teimava em achar que minhas crises existenciais diziam respeito a mim, minha consciência. Achava até que tinha uma personalidade...

Coisa de classe média quatrocentona paulistana, que teima em criar suas crianças como únicas e especiais. Cresci achando que eu era única e especial. Achando que todos os meus sonhos se realizariam, bastava persegui-los e desejar sinceramente.

Deviam educar esses pais para não fazerem isso com suas crias.

Deu que adulta, percebi que não funciona assim, e fiquei em crise. Pra perceber que até minha crise é mais comum do que meu ego gostaria.

Meu narcisismo foi ferido. Meu fracasso foi descortinado bem na minha cara. E meus sonhos estão mais esfumaçados que a Rebouças na hora do rush.

Aí eu lembrei que eu gosto de escrever (apesar de achar que até isso... enfim... até isso é óbvio). Mas lembrei também que em crises e conflitos anteriores eu escrevia um montão,(e deixava na gaveta). E não é que hoje eu me dei conta que, se por um lado meus conflitos são tão iguais aos de todo mundo, pelo menos ao falar deles, discuto junto, sem querer querendo, as crises de quem lê.

E não é que fazem isso há milênios?

Olha só, como é safadinha essa tal de escrita!

Um comentário:

  1. hahahahaha tchu tchu! esse post deveria se chamar: p q roberta e priscila são tão parecidas.
    rsrsrsrsrs
    boa reflexão!
    beijos

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