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26 setembro, 2011

simples assim

Nao é porque vendia flores que sua vida era poesia

Na dor de segurar, mijou ali mesmo na calçada

Com sua urina mal cheirando o jardim da mansao

Sem querer foi, pela única vez, rebelde.

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Faz dez anos que ele perdeu o primeiro dente.
Hoje Eriovaldo tem apenas sete na boca
Mas sente que nao deve ser tão ruim assim ser banguela
Até tiraram foto do sorriso dele
A fotografia preto e branca saiu num livro grande e pesado,
que ele ouviu dizer que vendia numa livraria chic da cidade grande.

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Diziam que a obesidade dela era um exemplo do desumano mundo em que vivia.
Seus cento e muitos kilos de pura gordura capitalista, matava de fome outras pessoas em outras cidades.
Ela escutava atenta e nao entendia direito,
Essas outras pessoas estão tristes, ela pensava, e são só crianças
depois devorava comerciais e bolachas recheadas.
E ela só comia pra passar essa dor de viver num mundo tão desumano.

09 novembro, 2010

trecho

Nós somos paredes construídas dos tijolos de nossas leituras.

14 abril, 2010

pseudo haikai para um cravo

Como rosa perdida
Vejo um cravo bravo.
Tropeço. Caio.

28 agosto, 2009

Somos Humanos Desanimais

Uma vez, há bastante tempo, escrevi um poema assim:


SOMOS HUMANOS DEMAIS

Somos
Animais
Estranhos.
Somos
Humanos

Não somos
Animais
Desumanos.
Somos
Humanos
Desanimais






Eu gosto desse poema.


Lembrei dele porque recebi essa foto:

Eu gostei muito dessa foto.

Por que não tratamos os animais com respeito?

Quer dizer, por que não tratamos os animais com Amor!?!?! ( que eles merecem)


10 agosto, 2009

por aí...

Aprender pessoas que me ensinam.
Ensinar.
Conhecer pessoas e coisas novas.
O que eu aprendo com quem conheço.
A descoberta, o susto, o novo.
O que eu aprendo com as pessoas que conheço pela vida
Uma música
Uma história, uma curiosidade
Aprender a rir, a chorar, a gargalhar, apender a beber, a comer, a ter prazer, a dar prazer.
Me ensinaram a ler, a saber o que ler, a escolher o que ler, a saber criticar o que ler.
Aprendi a desconfiar
A odiar
A gritar
A querer arrancar

O que me apaixona é querer saber o que de novo eu vou aprender e com quem.
Descobrir paradoxos desconexos, descontentos nas pessoas que me olham, como olham, o que falam, como falam. Se não falam o que calam. e me calam.
Me calaram. ( por aí...)

03 agosto, 2009

Braço

Eu sei descrever um braço,

Mas não o seu braço.


Seu braço eu só sei sentir, apertar.

Na verdade, nem sei...

Seu braço me suga.

Me amolece.

Me aquece.

Gosto do seu braço assim,

Pesando sobre mim.


Quando seu braço, esnobe, me esquece.

Eu sinto um frio quente de ciúme.

Mas quando reaparece,

E me espreme. Sufoca. Me faz suar...

Eu sinto saudades de saber quem sou!

23 junho, 2009

balada

Ela falou que precisava ir embora. Que já estava tarde.
Ele mandou aquele ditado já meio batido: “A noite é uma criança”
Ela preferiu não retrucar.
Ele tentou beijá-la novamente. Ela virou o rosto.
Ele pensou “Ela está fazendo cú doce.”
Ela virou-se e foi pro bar. Ele foi atrás.
Ela sentou-se. Ele começou a beijar o seu pescoço;
Ela deixou.
Ele pensou: “O que ela quer é ser paparicada.” E continuou paparicando-a.
Ela pediu um Mojito.
Ele pensou: “Quem toma Mojito? Bebida patética”. E pediu um gole do Mojito.
Ela tomou o Mojito no canudinho. Bem rápido.
Ele tentou beijá-la novamente. Novamente ela tirou o rosto.
Ele se encheu e pensou: “Estou cheio”.
Ela mordeu a ponta do canudinho e virou o rosto novamente.
Ele foi embora.
Ela o chamou e pediu um cigarro.
Ele pensou: “Que mina folgada”. E acendeu o cigarro dela.
Ela deu um trago.
Ele tentou beijá-la novamente.
Ela virou o rosto e deu outro trago.
Ele pegou na sua mão.
Ela puxou o braço.
Ele novamente virou-se pra ir embora. Fez menção de dar um tchau.
Aproximou-se novamente de sua boca e pensou: “Puta mina chata.”
Ela não moveu a boca.
Beijaram-se.

17 junho, 2009

Eu escrevo para não engasgar.

16 fevereiro, 2009

Palavras não existem.
São só um punhado de letras alinhadas de forma arbitrária.

Pra que deixa-las?
Pra que fala-las?

Escrever? Pra quê?

O importante é respirar fundo.

26 janeiro, 2009

Eu não odeio o silêncio.

Eu odeio os gritos que estão silenciosamente contidos nele.

16 janeiro, 2009

Pão com manteiga e açúcar

Outro dia me veio à memória a época em que eu tinha uns nove anos. Poucas pessoas lembram dessa época da vida, infelizmente. Eu lembro bastante da minha infância, em flashes, de vez em quando.
Quando eu tinha nove anos o mundo era do tamanho do sítio do meu avô. Os sonhos brotavam em árvores. E como era fácil conversar com as flores, entender os cachorros, falar com as árvores...
Naquela idade eu queria ter um gato branco de olhos azuis, eu tinha muitos amigos invisíveis e gostava muito de comer pão com manteiga e açúcar. E quando chorava, gostava de sentir a lágrima escorrendo pelo meu rosto, até chegar à boca para eu saboreá-la, salgadinha.
Não é mais assim. Os choros urbanos são mais pesados. São cinzas, da cor do asfalto.

Eu não gostava do jeito dos adultos, dizia que eu nunca seria como eles, e não fui. Até o dia do meu primeiro choro pesado, quando pela primeira vez, ao invés de chorar, eu soquei a parede, e ao invés do alívio, me veio um enorme aperto no peito e, por causa disso, eu respondi a alguém com raiva, então eu vi que não tinha mais jeito, já era tarde demais... aí eu chorei, chorei porque não tinha mais nove anos. Mas não chorei o choro leve e verde de outrora.

Hoje eu não como mais pão com manteiga e açúcar. O mundo é imensamente maior que o sítio do meu avô, e eu vivo na ansiedade de agarrá-lo inteiro, e sacudi-lo.
Os sonhos já não brotam mais, despencaram, despencam, e gritam no meu ouvido, eu descobri que sonhar dá trabalho.
Mas eu ainda converso com as árvores, e o mais incrível, é que elas ainda me respondem!


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Eu achei isso na gaveta outro dia...
Escrevi há uns cinco ou seis anos atrás.
Engraçado reler. Engraçado ver como eu pensava e sentia.
Engraçado perceber que talvez, o modo de pensar e sentir não tenha mudado tanto assim...
Ou será que sim?

14 janeiro, 2009

NÃO FAÇO NADA A NOITE

Se um dia você vir
Na frente de um buteco
Em pé parada
Cigarro aceso
Fingindo fazer
Vire-se e mire nos olhos
Serão verdes
Serei eu

GOSTO

Gosto de destilados
Fermentados
Açúcar e gordura

Às vezes meu estômago grita
Mas quem não grita?

13 janeiro, 2009

Presente de aniversário

"Eu costumo ser tão boa com as palavras...

Mas não foi fácil te escrever alguma coisa!

Eu costumo falar muito, e falo.

E, ao seu lado, eu adoro escutá-lo quieta.

Um silêncio doce. Que a vontade que eu sinto de passar a língua no seu pescoço preenche. Só.

É tão bom se perder... e eu to bem perdida desde aquele beijo, que me deixou com cara de “ué”. E tá me deixando até hoje.

Um medinho o tempo todo, um querer acertar meio infantil.

Você ta me deixando deliciosamente perdida.

Perdida a ponto de não ter certeza nem de que eu devia estar te escrevendo isso.

Mas a vontade me basta.

Será que invertemos a ordem das coisas, como você me escreveu? Talvez. E que bom.

E essa saudade que dá, meio seca, de estar longe, não deve ser um mau sinal.

É que nós fomos pegos assim meio distraídos...

E distraidamente eu me pego pensando em alguém que eu não pensava há pouco.

Queria te escrever algo bonito. De aniversário

Mas só consigo pensar na sua boca. E no seu abraço que me deixa sem ar.

Vou ficar devendo dessa vez...

Um beijo."


Eu escrevi esse presente para o primeiro aniversário do namorado.
Eu entreguei? Não lembro...

08 janeiro, 2009

pra falar pro namorado - quando você não consegue vê-lo.

Essa coisa de morar em São Paulo, trabalhar em São Paulo, ser mil e uma...

Às vezes dói e a gente nem sabe porque...

Pior, às vezes dói e a gente nem sente!


"Oi

Fiquei com vontade de te escrever qualquer coisa. Só pra falar com você. Já que não dá pra ficar calada ao seu lado, eu fico monologando distante.
Tá tudo.

MUITO solicitada no trabalho.

MUITO solicitada no CAOS

Com mil coisas pra fazer de chatas

Com mil coisas na cabeça

Comi muito chocolate

tomei muita ceveja. E to saindo pra tomar ainda mais.

Celular não pára um minuto. Um minuto sequer

Quero ver todo mundo. Todo mundo quer me ver. Eu não quero ver ninguém.

Tenho compromissos

Tenho desejos

Tenho sonhos

To ansiosa

Só quero dormir. Dormir durante umas duas semanas

O que se faz num momento desses? Hein??

Tá, finge que eu não falei nada. Finge que eu to só calada ao seu lado.

Eu só choro e gargalho, soluço e gargalho. Caralho!

Só quero deitar no seu antebraço..."