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20 novembro, 2013

Rosa Cinza

São tudo rosas.
A cor das meninas. E as flores com espinhos. O mundo da fluoxetina. E a essência das tias. São rosas despedaçadas para os amantes pisarem. E rosas secas para perfumar lavabos. São rosas as marcas da pancada. E da palmada para educar.
O tapa no rosto é rosa. E a bochecha maquiada.
É rosa a pele do branco. E o lábio do negro.
É rosa o pensamento da criança, antes de ser cinza.
É rosa o terço da novena. E rosa a esperança de cada oração.
Os dias são cor-de-rosa pra quem é todo coração.

São tudo nuvens cinzas quando tá nublado.
É cinza a fumaça feia do ônibus que leva pro trabalho. É cinza a segunda-feira.
São cinzas os restos do seu avô. E serão os seus, se assim quiser.
É cinza a camiseta do moleque. E a calça da executiva. É cinza o mundo do pessimista.
São cinzas do fogo da floresta. E cinza o planeta que espera.
Da bituca do cigarro ansioso, resta a cinza.
E do cinzeiro, a ferrugem.
É cinza o asfalto da estrada, de quem tem pressa.
É cinza o mesmo asfalto, de quem é só parada.

Ficou cinza a rosa que você me deu. Pois secou.


19 agosto, 2011

do tempo

Me lembro dos tempos de liberdade, quando praia era sinônimo de vodka com bala no cair da tarde.

Nem sei se era mesmo uma liberdade, mas a função de abrir meu cabeção foi cumprida deliciosamente bem. O Brasil todo caminhava para seus tempos glórios quando, ele próprio, estava passando de coitado sub terceiro para imperialista dos mais pobres, orgulhando-se de suas multinacionais emporcalhando os jardins vizinhos. Um tempo de histeria moralista, onde as igrejas evangélicas angariavam fiéis tristes com a mesma velocidade que crianças nascem. Alguns anos antes de conhecermos a ditadura da saúde fictícia, onde fumar cigarro viraria sinônimo de perseguição.

Eu percebia isso tudo com o filtro do LSD. Mas liberdade hoje é diferente, ela existe na folga do trampo das 10h às 18h e pode ser adquirida em até três parcelas fixas em algum site de compras coletivas.

Mas eu estava dividida naquele tempo (e ainda). Nunca fui de agir muito. Atitude não é minha moda. Na verdade, moda nem é minha moda. Eu entendo tudo e, no máximo, tagarelo pra meia dúzia. Tudo bem. Os goles me satisfaziam

Não mais. Quero viajar mais, pra mundos e lugares. Fazer chá de vida e beber ainda quente.

19 junho, 2011

tule

Eu tenho vontade de usar saia de tule.
Mas sempre acho que, em mim, vai ficar esquisito.

Lili

Quando eu tiver um filho, ou filha, que eu gosto de chamar de "mini pessoa"
eu vou dar pra ela "Lili Inventa o Mundo"do Mario Quintana.

uma duvida sem acento

Fruir o mundo é diferente de analisá-lo?

Fruir é diferente de criticar?

Observar o mundo é diferente de analisá-lo criticamente?

27 setembro, 2010

branco

Fiquei pensando se não doia menos o olho ler um blog assim
Com fundo branco e letras pretas...

13 janeiro, 2010

Voltando ao Diário da Viagem

Nós Caminhamos...

Caminhamos nas dunas...


Caminhamos à beira mar...


Caminhamos na estrada...


Caminhamos ao anoitecer...

Caminhamos na rua...

Caminhamos em pontes...

E em poças...

Mas uma hora a gente chega!



Ai ai...

E deita.

12 janeiro, 2010

Observações - dia 30

Obs 1 - Sobre a saudades

O camping que ficamos em Aguas Dulces lembrou muito meu sítio.

Senti muita, muita saudades do meu sítio.

Meu sítio sempre foi meu mundo particular. Por 26 anos. Aí, ele desapareceu...


Confesso que no dia 30, a saudades resolveu vir bater um papo comigo.
E senti saudades!
Tive aquele pensamento: "se ele estivesse aqui estaria adorando isso... ou aquilo...
Falaria isso..."

Saudades é o tipo da coisa que vc não afasta, apenas, chacoalhando a cabeça...

Daí escrevi uma frase assim no meu caderno de anotações: "A saudade transforma o outro em uma sombra que caminha ao seu lado não estando mais lá."


Depois achei a frase trágica. Mas continuava fazendo sentido.


Obs 2 - Sobre os excessos

Definitivamente nossa sociedade é a sociedade dos excessos.

Na camihada aprendemos como precisamos de muito pouco.
Pouca comida. Pouca roupa.
E nada faz muita falta.

Os prazeres se transformam e ficam muito mais intensos.

Voltar a simplicidade faz a gente descobrir o prazer escondido em um PF (a fome é mesmo o melhor tempero). Não precisamos procurar o melhor restaurante. A alta gastronomia.

Os execessos nos deixam zonzos. E vamos ficando exigentes... e insatisfeitos.

É gostoso (foi gostoso) lembrar disso nesses dias uruguaios.


Tirar o sapato é uma prazer.

Dormir pesado é rotina. O dormir ganha outro peso, o de necessidade.
Não há insônia.

Obs 3 - Sobre a ansiedade.

Outra coisa boa da caminhada é lidar com a ansiedade. (principlamente pra mim, q sou ansiosa)

Não existe horário. Existe destino.
Não dá pra acelerar nada.
O momento é decidido pela maré.
Você pode seguir em frente. E mais nada.

Aproveite e sinta.

Observação sobre caminhar na areia

Chegar ao limite do corpo é algo libertador.

Chegar ao limite e saber que dá pra continuar. Querer continuar.

É impressionante como, nessas condições, coisas simples ficam imensas.

Às vezes tá doendo... mas aí, uma brisa fresca e cheirosa vinda do mar... basta para te fazer puxar o peso da mochila, ajeitar as costas e tirar força e prazer para continuar andando.

E a chegada fica muito mais gostosa.
O banho de mar muito mais refrescante
O primeiro gole na cerveja gelada muito mais saboroso.

E deitar na areia vira um prazer intenso.

Chegar ao limite, às vezes, é delicioso.




Sim, ainda há um longo caminho pela frente.

08 janeiro, 2010

Observação especial

O litoral do Uruguai é pintado de flores amarelas por todos os lados.

Caminhos rodeados de florzinhas amarelas.

E eu adoro flores amarelas !

07 janeiro, 2010

Sobre o olhar

Caminhar pela praia é inacreditavelmente reparador para a mente.

As praias uruguaias não têm o recorte e a vegeteção que conhecemos no litoral brasileiro. São como um deserto de dunas.

Olhar o monocromático da areia e do mar descansa os olhos.

Sossega dos excessos de estímulos visuais.



A ausência da poluição visual permite sua mente vagar livremente...





Amós Oz... o escritor israelense, sabe disso. Ele vive no deserto.

"Há 20 anos, moro numa pequena cidade no deserto chamada Arad, no sul de Israel, cercada pelo deserto...Todas as manhãs, acordo cedo, às 5h, tomo uma xícara de café, vou ao deserto e caminho em silêncio, sozinho...O deserto me ajuda a ver as coisas em perspectiva; ele me ajuda a descobrir o que é importante e o que não é importante. O deserto é uma experiência de humildade e uma profunda inspiração."


O cenário longe e infinito de areia e do mar me lembra uma tela vazia. Um página em branco.

06 janeiro, 2010

Observações sobre La Coronilla II

Magamalabares

Os anjos de onde vêm?

Observações sobre La Coronilla

La Coronilla é um povoado que parece que parou nos anos 50.

É a cidade mais florida que eu já vi na vida!



Todas as flores são lindas. Coloridas.

Todas as casinhas têm flores bem cuidadas em seus jardins.




Em La Coronilla conhecemos a Dona Celia que, apesar de uruguaia, fala muito bem o português.
Apesar de falar bem o português nós, os brasileiros, insistíamos em falar portunhol com ela.

A Dona Celia tem um restaurantezinho lindo, com flores de alfazema, (que já vem com pôr do Sol aquarelado)



Ela fez 33 pratos de bife a milanesa com batata frita e salada. E nos serviu muito bem acompanhados com Patricia gelada.

Adorei La Coronilla, suas flores e sua praia.

Areia

Por que sempre que pisamos na areia parece a primeira vez?

05 janeiro, 2010

Observações dia 26/12

observação VI : por que mesmo a gente gosta de passar perrengue?


observação VII: Tá nublado e frio no Chuí... Por que mesmo a gente fala do clima?

(alguém assiste mesmo previsão do tempo como um serviço? Ou já ficou marcado como se fosse uma vinheta?
Existe alguma novidade em previsão do tempo?
Acho que os jornais acreditam que a previsão do tempo é uma espécie de culto diário que garante que eles continuem existindo.)

observação VIII: A mochila tá pesada!

observação IX: Mulher é sempre igual. Em qualquer lugar. Em qualquer situação.



Observação sobre o grupo: 33 brasileiros sempre enchem um ônibus no Uruguai.


Esse está indo a La Coronilla. A praia que iniciaremos a caminhada.
Custou 3 reais.

04 janeiro, 2010

Observação caminhada

É caminhando que se faz o caminho


E La Bela Luna nos acompanha


Observação extra e prévia - que deveria estar no final...

... mas eu não ligo muito pra linearidade

Observação:

O Uruguai é um país lindo!

O Ururguai é um país silencioso e vazio.

Os uruguaios são extremamente agradáveis, simpáticos... e alguns muito bonitos.

Os gaúchos gostam das praias uruguaias.

Todos os uruguaios tomam mate (chimarrão para nós). O tempo todo, em todos os lugares.
É muito bonito olhar.

Todas as idades, todos os momentos, todos estão com a cuia em uma mão, e a garrafa térmica em baixo do braço.

Eu estou simplesmente apaixonada pelo Ururguai. Todo lugar é vazio de um jeito gostoso... Afinal de contas, são apenas 3 milhões e meio de pessoas.

Quietude e serenidade.

E as praias não têm barraquinhas-barulhentas-vendendendo-todo-tipo-de bugiganga-comestível-e/ou-desnecessária.

Observações anotadas em pedaços de papel.

... quando dava.

O resto tá anotado na memória mesmo.

Dia 1 - 25/12. Observação número 1 - de reconhecimento.

Entrei no portão de embarque sabendo que iria encontrar, pelo menos, 15 pessoas de um grupo.

Entrei no avião e comecei a reconhecer as pessoas pelas coisas penduradas.
Cantil, sleeping, travesseiros infláveis, etc...

Engraçado a primeira impressão de pessoas que depois iremos conhecer muito melhor.


Dia... foi aqui que perdi a conta dos dias.

Observação número 2 - Sobre o Ponto extremo Sul do Brasil

O Chuí parece uma cidade fantasma.

Uma cidade antiga de interior...


Em uma rua... o Brasil está de um lado e o Uruguai do outro.

Exatamente nessa rua, no lado uruguaio, tem um Cassino. Talvez ele esteja lá só pq aqui é proibido... tipo uma tentação ao atravessar uma rua.


Não sei porque reparei nesse tipo de detalhe. Talvez porque seja frágil à tentações... talvez seja porque eu adoro atravessar a rua. (metaforicamente... claro, porque na vida real, eu costumo ter problemas em atravessar a rua... graças a minha singular cabeça de vento, que me faz ser uma constante quase vítima de atropelamentos)

Atravessar a rua é muito perigoso. Mas precisamos saber o que há do outro lado.

(por que a galinha atravessou a rua? )
(Uma família de tomates resolveu atravessar a estrada...)

A questão é que atravessamos a rua. Todos os 33 brasileiros. Com suas casas nas costas.

Para descobrir que o lado uruguaio, até então, não diferia em nada do lado brasileiro. A não ser pelo fato das placas estarem escritas em Espanhol. Brasileiros e uruguaios se confundem nas ruas, ambos caminham pelos dois lados.

Há muitas casas de cambio.
O que se eu soubesse antes, teria poupado uma peregrinação até o Bom Retiro.


















Chuí. Um lado da rua é o Brasil... o outro é o Uruguai


Nosso grupo chegando no Chuí!!! Primeiros passos! Rumo ao Uruguai!