20 novembro, 2013
Rosa Cinza
19 agosto, 2011
do tempo
Me lembro dos tempos de liberdade, quando praia era sinônimo de vodka com bala no cair da tarde.
Nem sei se era mesmo uma liberdade, mas a função de abrir meu cabeção foi cumprida deliciosamente bem. O Brasil todo caminhava para seus tempos glórios quando, ele próprio, estava passando de coitado sub terceiro para imperialista dos mais pobres, orgulhando-se de suas multinacionais emporcalhando os jardins vizinhos. Um tempo de histeria moralista, onde as igrejas evangélicas angariavam fiéis tristes com a mesma velocidade que crianças nascem. Alguns anos antes de conhecermos a ditadura da saúde fictícia, onde fumar cigarro viraria sinônimo de perseguição.
Eu percebia isso tudo com o filtro do LSD. Mas liberdade hoje é diferente, ela existe na folga do trampo das 10h às 18h e pode ser adquirida em até três parcelas fixas em algum site de compras coletivas.
Mas eu estava dividida naquele tempo (e ainda). Nunca fui de agir muito. Atitude não é minha moda. Na verdade, moda nem é minha moda. Eu entendo tudo e, no máximo, tagarelo pra meia dúzia. Tudo bem. Os goles me satisfaziam
Não mais. Quero viajar mais, pra mundos e lugares. Fazer chá de vida e beber ainda quente.
19 junho, 2011
Lili
eu vou dar pra ela "Lili Inventa o Mundo"do Mario Quintana.
uma duvida sem acento
Fruir é diferente de criticar?
Observar o mundo é diferente de analisá-lo criticamente?
27 setembro, 2010
branco
Com fundo branco e letras pretas...
13 janeiro, 2010
Voltando ao Diário da Viagem
12 janeiro, 2010
Observações - dia 30
O camping que ficamos em Aguas Dulces lembrou muito meu sítio.
Senti muita, muita saudades do meu sítio.
Meu sítio sempre foi meu mundo particular. Por 26 anos. Aí, ele desapareceu...
Confesso que no dia 30, a saudades resolveu vir bater um papo comigo.
E senti saudades!
Tive aquele pensamento: "se ele estivesse aqui estaria adorando isso... ou aquilo...
Falaria isso..."
Saudades é o tipo da coisa que vc não afasta, apenas, chacoalhando a cabeça...
Daí escrevi uma frase assim no meu caderno de anotações: "A saudade transforma o outro em uma sombra que caminha ao seu lado não estando mais lá."
Depois achei a frase trágica. Mas continuava fazendo sentido.
Obs 2 - Sobre os excessos
Definitivamente nossa sociedade é a sociedade dos excessos.
Na camihada aprendemos como precisamos de muito pouco.
Pouca comida. Pouca roupa.
E nada faz muita falta.
Os prazeres se transformam e ficam muito mais intensos.
Voltar a simplicidade faz a gente descobrir o prazer escondido em um PF (a fome é mesmo o melhor tempero). Não precisamos procurar o melhor restaurante. A alta gastronomia.
Os execessos nos deixam zonzos. E vamos ficando exigentes... e insatisfeitos.
É gostoso (foi gostoso) lembrar disso nesses dias uruguaios.
Tirar o sapato é uma prazer.
Dormir pesado é rotina. O dormir ganha outro peso, o de necessidade.
Não há insônia.
Obs 3 - Sobre a ansiedade.
Outra coisa boa da caminhada é lidar com a ansiedade. (principlamente pra mim, q sou ansiosa)
Não existe horário. Existe destino.
Não dá pra acelerar nada.
O momento é decidido pela maré.
Você pode seguir em frente. E mais nada.
Aproveite e sinta.
Observação sobre caminhar na areia
Chegar ao limite e saber que dá pra continuar. Querer continuar.
É impressionante como, nessas condições, coisas simples ficam imensas.
Às vezes tá doendo... mas aí, uma brisa fresca e cheirosa vinda do mar... basta para te fazer puxar o peso da mochila, ajeitar as costas e tirar força e prazer para continuar andando.
E a chegada fica muito mais gostosa.
O banho de mar muito mais refrescante
O primeiro gole na cerveja gelada muito mais saboroso.
E deitar na areia vira um prazer intenso.
Chegar ao limite, às vezes, é delicioso.
Sim, ainda há um longo caminho pela frente.
08 janeiro, 2010
Observação especial
Caminhos rodeados de florzinhas amarelas.
E eu adoro flores amarelas !
07 janeiro, 2010
Sobre o olhar
As praias uruguaias não têm o recorte e a vegeteção que conhecemos no litoral brasileiro. São como um deserto de dunas.
Olhar o monocromático da areia e do mar descansa os olhos.
Sossega dos excessos de estímulos visuais.
A ausência da poluição visual permite sua mente vagar livremente...

Amós Oz... o escritor israelense, sabe disso. Ele vive no deserto.
"Há 20 anos, moro numa pequena cidade no deserto chamada Arad, no sul de Israel, cercada pelo deserto...Todas as manhãs, acordo cedo, às 5h, tomo uma xícara de café, vou ao deserto e caminho em silêncio, sozinho...O deserto me ajuda a ver as coisas em perspectiva; ele me ajuda a descobrir o que é importante e o que não é importante. O deserto é uma experiência de humildade e uma profunda inspiração."
O cenário longe e infinito de areia e do mar me lembra uma tela vazia. Um página em branco.
06 janeiro, 2010
Observações sobre La Coronilla
É a cidade mais florida que eu já vi na vida!
Todas as flores são lindas. Coloridas.
Todas as casinhas têm flores bem cuidadas em seus jardins.
Em La Coronilla conhecemos a Dona Celia que, apesar de uruguaia, fala muito bem o português.
Apesar de falar bem o português nós, os brasileiros, insistíamos em falar portunhol com ela.
A Dona Celia tem um restaurantezinho lindo, com flores de alfazema, (que já vem com pôr do Sol aquarelado)
Ela fez 33 pratos de bife a milanesa com batata frita e salada. E nos serviu muito bem acompanhados com Patricia gelada.
Adorei La Coronilla, suas flores e sua praia.
05 janeiro, 2010
Observações dia 26/12
observação VII: Tá nublado e frio no Chuí... Por que mesmo a gente fala do clima?
(alguém assiste mesmo previsão do tempo como um serviço? Ou já ficou marcado como se fosse uma vinheta?
Existe alguma novidade em previsão do tempo?
Acho que os jornais acreditam que a previsão do tempo é uma espécie de culto diário que garante que eles continuem existindo.)
observação VIII: A mochila tá pesada!
observação IX: Mulher é sempre igual. Em qualquer lugar. Em qualquer situação.

Observação sobre o grupo: 33 brasileiros sempre enchem um ônibus no Uruguai.
Esse está indo a La Coronilla. A praia que iniciaremos a caminhada.
Custou 3 reais.
04 janeiro, 2010
Observação extra e prévia - que deveria estar no final...
Observação:
O Uruguai é um país lindo!
O Ururguai é um país silencioso e vazio.
Os uruguaios são extremamente agradáveis, simpáticos... e alguns muito bonitos.
Os gaúchos gostam das praias uruguaias.
Todos os uruguaios tomam mate (chimarrão para nós). O tempo todo, em todos os lugares.
É muito bonito olhar.
Todas as idades, todos os momentos, todos estão com a cuia em uma mão, e a garrafa térmica em baixo do braço.
Eu estou simplesmente apaixonada pelo Ururguai. Todo lugar é vazio de um jeito gostoso... Afinal de contas, são apenas 3 milhões e meio de pessoas.
Quietude e serenidade.
E as praias não têm barraquinhas-barulhentas-vendendendo-todo-tipo-de bugiganga-comestível-e/ou-desnecessária.
Observações anotadas em pedaços de papel.
O resto tá anotado na memória mesmo.
Dia 1 - 25/12. Observação número 1 - de reconhecimento.
Entrei no portão de embarque sabendo que iria encontrar, pelo menos, 15 pessoas de um grupo.
Entrei no avião e comecei a reconhecer as pessoas pelas coisas penduradas.
Cantil, sleeping, travesseiros infláveis, etc...
Engraçado a primeira impressão de pessoas que depois iremos conhecer muito melhor.
Dia... foi aqui que perdi a conta dos dias.
Observação número 2 - Sobre o Ponto extremo Sul do Brasil
O Chuí parece uma cidade fantasma.
Uma cidade antiga de interior...
Em uma rua... o Brasil está de um lado e o Uruguai do outro.
Exatamente nessa rua, no lado uruguaio, tem um Cassino. Talvez ele esteja lá só pq aqui é proibido... tipo uma tentação ao atravessar uma rua.
Não sei porque reparei nesse tipo de detalhe. Talvez porque seja frágil à tentações... talvez seja porque eu adoro atravessar a rua. (metaforicamente... claro, porque na vida real, eu costumo ter problemas em atravessar a rua... graças a minha singular cabeça de vento, que me faz ser uma constante quase vítima de atropelamentos)
Atravessar a rua é muito perigoso. Mas precisamos saber o que há do outro lado.
(por que a galinha atravessou a rua? )
(Uma família de tomates resolveu atravessar a estrada...)
A questão é que atravessamos a rua. Todos os 33 brasileiros. Com suas casas nas costas.
Para descobrir que o lado uruguaio, até então, não diferia em nada do lado brasileiro. A não ser pelo fato das placas estarem escritas em Espanhol. Brasileiros e uruguaios se confundem nas ruas, ambos caminham pelos dois lados.
Há muitas casas de cambio.
O que se eu soubesse antes, teria poupado uma peregrinação até o Bom Retiro.

Chuí. Um lado da rua é o Brasil... o outro é o Uruguai

Nosso grupo chegando no Chuí!!! Primeiros passos! Rumo ao Uruguai!



